Perdido pela fotografia, possuído pela beleza, sugado pela tua existência. Aqui está o que vejo por trás das lentes.

Foi esta semana o primeiro aniversário da captura e morte de Osama Bin Laden, o terrorista mais procurado do mundo.
Teria sido para mim um evento redundante não fosse o facto de estar nos Estados no Unidos da América aquando do seu assassínio. Tinha adormecido no sofá da sala e foi enquanto dormia que Barack Obama interrompeu a programação televisiva para comunicar ao país a tão esperada notícia. Fui acordado com o alvoroço de amigos, inicialmente fiquei feliz por eles, mas depois senti algum medo, não podia ter tido pior timming para estar nos EUA. Mas pensando bem, uma possível retaliação não aconteceria logo de imediato já que o alerta Americano seria triplicado, no dia seguinte tive a prova de que estava correcto.
Acordei cedo e atravessei o rio de ferry para Manhattan, o ferry foi escoltado por um barco munido de uma metralhadora na frente. Chegados a Manhattan todos os tripulantes do ferry foram farejados no terminal por cães polícia. A diferença notava-se nas ruas, mais pessoas empunhavam a bandeira dos EUA, o exército estava em todas as esquinas e perto do Ground Zero amontoavam-se estações televisivas.
Afinal a vingança estava feita, as tropas Americanas tinham morto o cabeçilha da Al-Qaeda, responsável pela queda do World Trade Center a 11 de Setembro de 2001. Eu estive lá e é com esta foto que o recordo.
(Source: Flickr / f3lixlovesyou)

O New York City Department of Records passou os últimos quatro anos a digitalizar o seu massivo arquivo fotográfico, centenas de milhar de fotografias que remontam aao 1880. Este projecto ainda nem a meio vai, mas foram já disponibilizadas online algumas das fotografias em questão, a maior parte para uso livre.
The Online Gallery provides free and open research access to over 800,000 items digitized from the Municipal Archives’ collections, including photographs, maps, motion-pictures and audio recordings. The holdings are arranged by collection; or you may search “All Collections” by keyword or any of the advanced search criteria. Patrons may order prints or digital files, and license images or film clips for commercial use.
A galeria online pode ser encontrada aqui, ainda que de momento, e compreensivelmente, pelo número de acessos se encontre em baixo. Eu já consegui ver algumas das fotos e vale bem a pena ir tentado o acesso.
Entretanto salvei mais uma para o meu computador, a foto a seguir é uma visão de 5 de Junho de 1908, e aqui a minha visão de 30 de Abril de 2011.


Antigamente é que se faziam as grandes obras!
Ainda sou do tempo em que paralelos destes eram coisa normal, hoje em dia são difíceis de encontrar, a maior parte foram cobertos com alcatrão. Imaginem o trabalho que deu pavimentar esta estrada enorme para daqui uns anos um maluco qualquer a decidir apagar! Uma pena!
Portugal é feito destas “pequenas” coisas, mais uma parte do nosso dia a dia mas tão profundas em conhecimento e glória!
Neste dia saí em busca de pormenores destes, portugalidades. Só uma boa foto durante numa tarde de disparos.
“Ao comprar uma máquina fotográfica não te tornas um fotógrafo, só te tornas o dono de uma máquina fotográfica.”
~ Anónimo

Procurar uma máquina fotográfica perdida através do serial number das suas fotos não é nada de novo (ver Stolen Camera Finder), mas o novo serviço da GadgetTrak’s vai um passo mais adiante. Chama-se CameraTrace e por apenas $10 por câmera o serviço monitorizará a Internet em busca do seu serial number. Se aparecer numa foto carregada para um popular serviço de partilha de fotografia, receberás uma notificação no teu email.
Simples e único, se perdes-te a tua máquina fotográfica ainda há esperança de a voltares a encontrar.
Foi mais um fim de dia solitário, daqueles em que fotografar funciona como terapia. Uma das minhas escolhas para reflexão é “a famosa” praia da Tocha, fica aqui ao lado, raramente se vê por lá gente fora da altura do verão, e existem imensos pormenores para fotografar.
É curiosa a forma como se criam estas mini baías, são um pesadelo no verão mas neste caso resultaram para boas perspectivas fotográficas.
Toda a gente devia ter uma praia por onde caminhar solitário, perdido nos seus pensamentos. Toda a gente devia saber fazer isso, não resolve problemas mas sossega o espírito. Junta-se a caminhada à fotografia e temos uma receita para a cura de dúvidas existênciais. ;)
Descobri a beleza da fotografia em formato quadrado à relativamente pouco tempo, aconteceu enquanto tentava tornar as minhas fotos o mais semelhantes possível à fotografia de médio formato (120mm). Ultimamente tenho processado imensas das minhas fotos para este formato, que é, sem dúvida, o meu favorito.
Talvez uma das consequências não intencionais no aparecimento da fotografia digital foi a abertura para áreas da fotografia que estavam até então limitadas a pessoas que tinham equipamentos específicos. O formato quadrado e a possibilidade de corte de fotografia é uma dessas áreas - para conseguir este formato era preciso ter uma câmera de médio formato 6x6. Claro que em camera escura seria possível cortar uma foto de 35mm, mas nunca chegar perto da qualidade presente num negativo de médio formato. As câmeras digitais vieram mudar tudo isto, está agora ao alcance de todos a facilidade de pós-processamento com todas as opções que lhe estão associadas. Para além disso, e neste caso específico, algumas câmeras possibilitam o uso do formato quadrado logo no momento da captura desde que tenham viewfinder electrónico.
Aparte do facto de que se pode agora cortar fotos para o formato quadrado, para quê fazê-lo?

Melhorar a composição de algumas fotos.
Uma boa composição é normalmente simplificada, é eliminada informação da fotografia para que se fique só com o mais importante. Deve ter-se atenção à composição logo no momento da captura mas por vezes só mais tarde reparamos nalguns pormenores e é aqui que entra o pós-processamento ou edição de imagem. Ao cortar uma fotografia em formato standard (vulgo 35mm) para formato quadrado, estamos a eliminar um terço da imagem, deixando os dois terços mais interessantes.
Este é um exercício criativo que podes portanto aplicar a fotos que já tens. É uma boa forma de melhorar fotos que tenham muito “espaço vazio” numa das bordas. A foto acima é um bom exemplo desta transformação.
Outra coisa que podes fazer é pensar no formato quadrado assim que fotografas, ultimamente tenho dado por mim a fazer isso, imaginar um quadrado no viewfinder (que como é óptico não possibilita a opção de formato quadrado directo).
As diferenças da composição em formato quadrado.
Se segues a minha fotografia já deves ter percebido que não sou um grande seguidor da regra dos terços. Em formato quadrado essa regra desaparece por completo. Depende do que se está a fotografar mas normalmente colocar o sujeito no meio da foto funciona muito bem, é descomplicado. Mas a grande diferença neste formato é a maneira como funcionam as formas e linhas, numa fotografia em tamanho standard as linhas e formas podem desviar o olhar, desiquilibrar a imagem, o formato quadrado ajuda a compensar a distribuição das mesmas, o olhar fica mais facilmente contido na moldura, tudo o que se pode ver está à mesma curta distância.
Nas fotos a preto e branco as formas e linhas parecem ganhar ainda mais expressividade se representadas em formato quadrado, tornam-se mais proeminentes, nao existe a distracção causada por vezes pela cor.
Nesta ordem de ideias não posso deixar de sugerir que analisem e apreciem o trabalho fotográfico de Josef Hoflehner. Incrivelmente simples, com uma riqueza de tom, detalhe e contraste incríveis.
Soluções directas e baratas.
Cá está uma das vantagens de se ser utilizador Instagram, o formato quadrado é directo com o uso da aplicação. Para quem não está familiarizado (será possível? ;) ), o Instagram é uma aplicação que inicialmente estava restricta aos utilizadores de iPhone e que à pouco tempo se tornou também disponível para Android. O Instagram faz um crop directo para formato quadrado e tem um sem fim de filtros criativos que se aplicam conforme os gostos de cada um.
Outra solução são as “toy cameras”, máquinas fotográficas analógicas de plástico a preços acessíveis. Estão cada vez mais na moda e podem ser encontradas à venda na internet muito facilmente, visita este link para as soluções apresentadas pela Lomography.
Agora faz upload de uma foto em formato quadrado no Flickr e sites do género, a definição salta à vista já que a foto ocupa mais espaço que habitualmente. Nenhum outro formato funciona tão bem online.
E é por tudo isto que eu adoro o formato quadrado. Experimentem.
“Creio que as pessoas nunca veriam certas coisas se eu as não tivesse fotografado.”
~ Diane Arbus
Corbis, a empresa de licenciamento de imagem de Bill Gates detém uma colecção de mais de cem milhões de fotografias, incluíndo algumas das mais íconicas imagens da história. O canal de televisão CBS foi recentemente permitido a dar uma espreitadela às instalações de preservação de imagem da companhia em Iron Mountain - um local de armazenamento com segurança máxima localizado no fundo de uma mina.

O melhor da fotografia de rua são as fotos em que o sujeito assume uma expressão cândida, sem que perceba a presença do fotógrafo. No entanto existem situações em que tal é imposssível, esta foi uma delas: este senhor estava de costas para a rua, se entrasse na loja ele perceberia a minha presença, então o melhor foi pedir que possasse para mim. Aceitou de imediato, sem problema perante o sorriso trocista da senhora ao seu lado.
Foi mais um passeio fotográfico de fim de tarde, desta vez por China Town em Nova Iorque. Nesta rua em particular lembro-me que só haviam lojas de roupa, peixarias e frutarias. Todos os sinais e nomes de loja estão escritos em Chinês, é como se tivesse sofrido um salto geográfico para uma qualquer rua de Hong Kong. A confusão é enorme e obviamente a população na rua é predominantemente chinesa, os cheiros e sons são inesquecíveis.
(Source: Flickr / f3lixlovesyou)
Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010. A minha segunda visita a Nova Iorque, onde estive durante um mês dessa vez. Foi um dia que começou bem cedo e que se revelou muito produtivo fotograficamente. A foto que a seguir apresento lembra-me o fantástico final desse dia, ao acaso encontrei uma zona de Nova Iorque que desconhecia por completo, Little Italy é como China Town mas para Italianos. De um momento para o outro dei por mim numa rua fechada para festividades onde o verde, vermelho e branco eram as cores. Os restaurantes invadiram a rua e jantares eram servidos ao ar livre, o cheiro da comida italiana, as gargalhadas de felicidade e a luz que só se vê na maior cidade do mundo.
Entrámos no Caffé Roma e jamais me esquecerei do cheiro e da energia que se via para lá da grande janela construída na esquina do café.
Nova Iorque no seu melhor.