Félix Pagaimo Photography

Perdido pela fotografia, possuído pela beleza, sugado pela tua existência. Aqui está o que vejo por trás das lentes.

O Regresso!

Olá, estou de volta!

Altura de ressuscitar o blog! Finalmente. ;) Depois de um período introspectivo, em que fotografei sobretudo para mim, é altura de voltar a fotografar para todos e também escrever sobre isso. 

Apesar de ter estado afastado um ano e meio do blog, quase nada se passou, pelo menos que valha a pena partilhar. A não ser que começei a fotografar bebés e suas famílias, é nisso que tenho focado a minha atenção, e posso dizer que agora me sinto equipado nesse aspecto. Apesar de parecer simples, é um carga de trabalhos, para além de ter construído um mini estúdio aqui em casa, tive que me comprar uma enorme quantidade de acessórios (caminhas, mantas de várias cores, peluches, etc, etc), enfim, tudo para dar o melhor resultado fotográfico possível aqueles que decidem contratar os meus serviços! ;)

E estou neste altura a tentar reformular a presença da minha fotografia na internet, acabo de modificar a minha página no Facebook, estou a reformular o meu website, e decidi então ressuscitar aqui o blog. 

Despeço-me, para já, com uma das fotos que fiz nos últimos tempos:image

Provincetown e Portugal

E lá passaram 20 dias desde o meu último post aqui no blog. Tenho publicado algumas das fotos que tirei este verão, no Facebook e Flickr, com alguma regularidade, mas é altura de dar uso poder da escrita.

As minhas férias nos EUA começaram em Provincetown, Massachussets. É a segunda vez que visito esta cidade e francamente nada mudou, bons restaurantes, entretenimento de rua aos montes, os pormenores na construção das casas, os jardins bem tratados, as galerias de arte por todo o lado, a grande carga LGBT, a liberdade, a igualdade, e claro, o grande cunho da cultura Portuguesa no local.

É um desses pormenores que partilho hoje. A presença dos Portugueses em Provincetown é enorme, a nossa bandeira está por todo o lado, multiplicam-se as lojas que vendem os nossos produtos, o galo de Barcelos está pintado no alcatrão das estradas, ouve-se Português constantemente. A relação com o mar e pesca foi o que nos fez desaguar naquelas margens, a nossa alma marítima é sabida e reconhecida por toda a costa Americana e sobretudo em Provincetown. É daqui que surge a instalação artística “They Also Faced The Sea” (“Elas também enfrentaram o mar”):

They Also Faced The Sea”, foto de Félix Pagaimo, Julho de 2012

A instalação “They Also Faced The Sea” foi criada com vista a preservar o espírito da cultura Portuguesa. Obra da artista Ewa Nogiec e da fotógrafa Norma Holt, a instalação mostra 5 grandes fotografias de 5 mulheres de descendência Portuguesa: Almeda Segura, Eva Silva, Mary Jason, Bea Cabral e Frances Raymond. Está construída em duas paredes de um edifício no final da Fisherman’s Wharf em Provincetown Harbor.

As fotos representam todas as mulheres de Provincetown que durante anos têm sido a espinha-dorsal desta cidade piscatória. Vieram de uma longa linha de gente trabalhadora, sobretudo emigrantes dos Açores e Portugal continental. As suas famílias pescam as águas de Cape Cod à mais de 200 anos, construíram uma vital indústria de embalagem e distribuição, dando assim uma grande contribuição para a história e cultura de Provincetown. 

As mulheres portuguesas enfrentaram os mares de várias formas: como mães, irmãs, esposas, amigas e família de pescadores, foram cozinheiras, lavadeiras, enfermeiras, professoras e operadores de telefone. Mantiveram a cultura viva, cantaram canções, enterraram os mortos, deram à luz, e fizeram-no sempre com a igreja como peça central das suas vidas. Acima de tudo, foram resistentes nos bons e maus momentos, a sua força e coragem tão ou mais forte que as dos seus companheiros marítimos.

Norma Holt, Julho de 2012

Do outro lado do oceano, são essencialmente histórias como esta que surgem associadas aos portugueses e a Portugal. Gente trabalhadora, forte, pacífica e culturalmente rica. Por vezes realizo que os estrangeiros percebem mais o nosso valor que nós, e isso entristece-me, se o patriotismo e orgulho fossem dominantes nos nossos corações talvez ainda fossemos donos do mundo, e ainda mais importante, donos de nós próprios. Mas está visto, a nossa riqueza não se perdeu, e está longe de ser feita só de história.

Parte do texto retirado, adaptado e traduzido do website IAmProvincetown.

Say Cheese!

Ok, preparado para partilhar as minhas fotos deste verão! ;) Foi uma óptima viagem aos EUA. Fica conectado e aprecia!

Double Glass por Félix Pagaimo

There’s people who love photography, and there’s “other people”. Nothing against “other people”, they just haven’t figured it out yet!

Parafusos

O princípio de uma outra série?

Ou a busca pela união dos factos?

ROBERT FRANK: “A Statement” (1958)

Detroit River Rouge Plant, 1955


By Robert Frank, U.S. Camera Annual, p. 115, 1958

I am grateful to the Guggenheim Foundation for their confidence and the provisions they made for me to work freely in my medium over a protracted period. When I applied for the Guggenheim Fellowship, I wrote: “To produce an authentic contemporary document, the visual impact should be such as will nullify explanation”

With these photographs, I have attempted to show a cross-section of the American population. My effort was to express it simply and without confusion. The view is personal and, therefore, various facets of American life and society have been ignored. The photographs were taken during 1955 and 1956; for the most part in large cities such as Detroit, Chicago, Los Angeles, New York and in many other places during my Journey across the country. My book, containing these photographs, will be published in Paris by Robert Delpire, 1958.

I have been frequently accused of deliberately twisting subject matter to my point of view. Above all, I know that life for a photographer cannot be a matter of indifference. Opinion often consists of a kind of criticism. But criticism can come out of love. It is important to see what is invisible to others—perhaps the look of hope or the look of sadness. Also, it is always the instantaneous reaction to oneself that produces a photograph.

My photographs are not planned or composed in advance and I do not anticipate that the on-looker will share my viewpoint. However, I feel that if my photograph leaves an image on his mind—something has been accomplished.

It is a different state of affairs for me to be working on assignment for a magazine. It suggests to me the feeling of a hack writer or a commercial illustrator. Since I sense that my ideas, my mind and my eye are not creating the picture but that the editors’ minds and eyes will finally determine which of my pictures will be reproduced to suit the magazines’ purposes.

I have a genuine distrust and “mefiance” toward all group activities. Mass production of uninspired photojournalism and photography without thought becomes anonymous merchandise. The air becomes infected with the “smell” of photography. If the photographer wants to be an artist, his thoughts cannot be developed overnight at the corner drugstore.

I am not a pessimist, but looking at a contemporary picture magazine makes it difficult for me to speak about the advancement of photography, since photography today is accepted without question, and is also presumed to be understood by all—even children. I feel that only the integrity of the individual photographer can raise its level.

The work of two contemporary photographers, Bill Brandt of England and the American, Walker Evans, have influenced me. When I first looked at Walker Evans’ photographs, I thought of something Malraux wrote: “To transform destiny into awareness.” One is embarrassed to want so much for oneself. But, how else are you going to justify your failure and your effort?

(Source: americansuburbx.com)

anewkindofcamera:

Graflex Super D
Margaret Bourke-White, portait with her Graflex Super D, 1934
Found: Not PC, accessed June 21, 2012


"LIFE magazine photographer Margaret Bourke-White atop a steel gargoyle protruding from the 61st story of the (then brand-new) Chrysler Building, photographing the New York City skyline. This photograph was taken in 1934 by Bourke-White’s unsung partner, Oscar Graubner, her darkroom technician. Graubner, a photographer himself, went to work for Margaret soon after she moved to New York from Cleveland."

anewkindofcamera:

Graflex Super D

Margaret Bourke-White, portait with her Graflex Super D, 1934

Found: Not PC, accessed June 21, 2012

"LIFE magazine photographer Margaret Bourke-White atop a steel gargoyle protruding from the 61st story of the (then brand-new) Chrysler Building, photographing the New York City skyline. This photograph was taken in 1934 by Bourke-White’s unsung partner, Oscar Graubner, her darkroom technician. Graubner, a photographer himself, went to work for Margaret soon after she moved to New York from Cleveland."

(via life)

Para todos os interessados, aqui fica um longo vídeo sobre composição fotográfica. Porque existe sempre algo que desconheciamos. ;) 

SUGESTÃO: Sigam os canais YouTube da B&H e Adorama, mais que lojas de electrónica, são locais onde a assistência profissional e aprendizagem têm muita importância. É com alguma regularidade que colocam vídeos como este, em que se centram em aspectos técnicos específicos, mas também vídeos em que ensinam técnicas e etc. 

Usem um leitor RSS (Google Reader por exemplo) e subscrevam:
www.youtube.com/user/BHPhotoVideoProAudio/feed
www.youtube.com/user/adoramaTV

Caso sejam utilizadores iTunes também podem subscrever os podcasts (mesmo conteúdo do YouTube) destas lojas.

Enjoy! ;) 

Poder Escolher

A impressão que dá é que ainda nem começámos a choramingar por ela quando, na verdade, já está em marcha o cortejo fúnebre. A fotografia analógica (e todos os rituais de produção e de criação que lhe estão associados) anda por aí como um morto-vivo a cavar sepulturas sem saber muito bem quando e onde será enterrada - é um ser moribundo que vai tendo os seus cantos de cisne nos noticiários à medida que vão sendo anunciados golpes de punhal num corpo já ferido. 

Apesar de a certidão de óbito já ter sido declarada, a morte propriamente dita ainda não aconteceu. Talvez só agora, numa altura em que a rainha da festa fotográfica - a Kodak - está à beirinha de queimar os últimos cartuchos, tomemos consciência do fim desse casamento onde afinal sempre houve espaço para três - a óptica, a química e a mecânica.

Creio que nesta fase de agonia interessa pouco comparar virtudes e defeitos do que existia e do que existe. Trata-se de um exercício inócuo, para não dizer impossível de estabelecer - o abismo entre as práticas do digital e do analógico não são apenas distantes, em certos aspectos são antagónicos. 

Será talvez o momento de tentar perceber o que deixaremos de ver e de fazer com o fim da película fotossensível e da revelação química. E isto tem pouco a ver com o romantismo saudosista da escuridão do laboratório ou com lágrimas vertidas “pelo que foi e que não volta a ser”. 

O exercício que Tacita Dean fez com Film, apresentado este ano na Tate Modern, em Londres, incita-nos a, pelo menos, pararmos para identificar algumas das coisas que dificilmente voltaremos a ver (ou criar) da mesma maneira. Isto apesar de sabermos que a artista inglesa é uma parte interessada no processo em si (a sua matéria-prima criativa está ligada aos suportes analógicos e à problemática do sua extinção). Dean lembra-nos (como se já fosse preciso lembrar-nos de coisas que ainda ontem aconteceram) o potencial plástico e a variedade de recursos que se podem associar à película para gritar: “Salvem o analógico!” 

Menos comprometido e longe do fetichismo pelo suporte, Rui Poças, director de fotografia de Tabu, rodado em película a preto e branco, apontou (no Ípsilon) aquela que será uma das principais feridas abertas com o fim do analógico - o desaparecimento da escolha. 

A esta míngua de alternativas aos pixéis podíamos acrescentar outras perdas, como a rejeição do acidente e do acidental, a renúncia do erro e da distracção, acasos do processo e limitações do suporte que tantas vezes foram validados como arte. Na fotográfica também.

in Arte Photographica

| Tacita Dean sobre Film

Expo no CAE Figueira da Foz - Só em NOVA IORQUE

Ora cá está, a minha primeira exposição individual. ;)

"Só em NOVA IORQUE" vai estar patente de 5 de Julho a 2 de Agosto, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. A inauguração oficial realiza-se a 7 de Julho, um sábado às 17:30.

Era fantástico contar com a vossa presença. ;)

O evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/106767902798629/


New York “is a splendid desert - a domed and steepled solitude, where the stranger is lonely in the midst of a million of his race.”

Mark Twain, 1867

150 anos depois, a realidade é a mesma em Nova Iorque. Um olhar atento ao teatro do dia a dia, revela uma imensidão de pessoas sós, perdidas na rotina das suas vidas, fruto de uma evolução humana desprovida de ligações e proximidades. Facilmente se fazem quilómetros, sem que uma única cara familiar interrompa o transe em que andam mergulhadas as mentes dos que habitam as ruas da cidade que nunca dorme. A passagem por um estranho, é preenchida por um câmbio de silêncio. A maior parte das vezes não se fundem olhares: a indiferença assume o papel principal.

Mas o que acontece quando decidimos desafiar o vazio destas travessias? O que acontece quando se torna inevitável a presença de outros? 
A proximidade criada pela fotografia, quebra o hábito mecânico de se passar por pessoas sem criar conexões, a coexistência geoespacial torna-se inevitável, nasce o interesse e a análise de realidades que não são a nossa.

“Só em NOVA IORQUE”, mostra como a fotografia de rua revela essências humanas por trás de cada estranho que, rodeado de gente, decidiu não partilhar a sua atenção com outros. O congelamento fotográfico dos seus momentos solitários, abre assim uma oportunidade para a conexão emocional que de outro modo não aconteceria. 

Afinal como é possível estar só, no meio de tanta gente?

Félix Pagaimo
www.felixpagaimo.com
https://www.facebook.com/F3lixphotography

Montalegre

Hoje nasce uma nova série fotográfica no meu website: MONTALEGRE

Dá uma vista de olhos! ;)

Memórias & Histórias - GOT HIM!

Foi esta semana o primeiro aniversário da captura e morte de Osama Bin Laden, o terrorista mais procurado do mundo. 

Teria sido para mim um evento redundante não fosse o facto de estar nos Estados no Unidos da América aquando do seu assassínio. Tinha adormecido no sofá da sala e foi enquanto dormia que Barack Obama interrompeu a programação televisiva para comunicar ao país a tão esperada notícia. Fui acordado com o alvoroço de amigos, inicialmente fiquei feliz por eles, mas depois senti algum medo, não podia ter tido pior timming para estar nos EUA. Mas pensando bem, uma possível retaliação não aconteceria logo de imediato já que o alerta Americano seria triplicado, no dia seguinte tive a prova de que estava correcto.

Acordei cedo e atravessei o rio de ferry para Manhattan, o ferry foi escoltado por um barco munido de uma metralhadora na frente. Chegados a Manhattan todos os tripulantes do ferry foram farejados no terminal por cães polícia. A diferença notava-se nas ruas, mais pessoas empunhavam a bandeira dos EUA, o exército estava em todas as esquinas e perto do Ground Zero amontoavam-se estações televisivas.

Afinal a vingança estava feita, as tropas Americanas tinham morto o cabeçilha da Al-Qaeda, responsável pela queda do World Trade Center a 11 de Setembro de 2001. Eu estive lá e é com esta foto que o recordo. 

(Source: Flickr / f3lixlovesyou)

Jazzin’ Coimbra, uma foto dedicada ao dia internacional do Jazz.

Jazzin’ Coimbra, uma foto dedicada ao dia internacional do Jazz.

NYC Fotos

New York City Department of Records passou os últimos quatro anos a digitalizar o seu massivo arquivo fotográfico, centenas de milhar de fotografias que remontam aao 1880. Este projecto ainda nem a meio vai, mas foram já disponibilizadas online algumas das fotografias em questão, a maior parte para uso livre.

The Online Gallery provides free and open research access to over 800,000 items digitized from the Municipal Archives’ collections, including photographs, maps, motion-pictures and audio recordings. The holdings are arranged by collection; or you may search “All Collections” by keyword or any of the advanced search criteria. Patrons may order prints or digital files, and license images or film clips for commercial use.

A galeria online pode ser encontrada aqui, ainda que de momento, e compreensivelmente, pelo número de acessos se encontre em baixo. Eu já consegui ver algumas das fotos e vale bem a pena ir tentado o acesso.

Entretanto salvei mais uma para o meu computador, a foto a seguir é uma visão de 5 de Junho de 1908, e aqui a minha visão de 30 de Abril de 2011.