Félix Pagaimo Photography

Perdido pela fotografia, possuído pela beleza, sugado pela tua existência. Aqui está o que vejo por trás das lentes.

Expo no CAE Figueira da Foz - Só em NOVA IORQUE

Ora cá está, a minha primeira exposição individual. ;)

"Só em NOVA IORQUE" vai estar patente de 5 de Julho a 2 de Agosto, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz. A inauguração oficial realiza-se a 7 de Julho, um sábado às 17:30.

Era fantástico contar com a vossa presença. ;)

O evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/106767902798629/


New York “is a splendid desert - a domed and steepled solitude, where the stranger is lonely in the midst of a million of his race.”

Mark Twain, 1867

150 anos depois, a realidade é a mesma em Nova Iorque. Um olhar atento ao teatro do dia a dia, revela uma imensidão de pessoas sós, perdidas na rotina das suas vidas, fruto de uma evolução humana desprovida de ligações e proximidades. Facilmente se fazem quilómetros, sem que uma única cara familiar interrompa o transe em que andam mergulhadas as mentes dos que habitam as ruas da cidade que nunca dorme. A passagem por um estranho, é preenchida por um câmbio de silêncio. A maior parte das vezes não se fundem olhares: a indiferença assume o papel principal.

Mas o que acontece quando decidimos desafiar o vazio destas travessias? O que acontece quando se torna inevitável a presença de outros? 
A proximidade criada pela fotografia, quebra o hábito mecânico de se passar por pessoas sem criar conexões, a coexistência geoespacial torna-se inevitável, nasce o interesse e a análise de realidades que não são a nossa.

“Só em NOVA IORQUE”, mostra como a fotografia de rua revela essências humanas por trás de cada estranho que, rodeado de gente, decidiu não partilhar a sua atenção com outros. O congelamento fotográfico dos seus momentos solitários, abre assim uma oportunidade para a conexão emocional que de outro modo não aconteceria. 

Afinal como é possível estar só, no meio de tanta gente?

Félix Pagaimo
www.felixpagaimo.com
https://www.facebook.com/F3lixphotography

Street Photography - More Than Just A Snapshot

Partilho mais um video. 50 minutos bem gastos com a perspectiva de Len Speier acerca da Street Photography. Um bom video para todos, os que do assunto quase nada sabem e para os que pensam que sabem tudo. ;)

Não deixem de visitar o site de Len, um artista no verdadeiro sentido da palavra.

(Source: youtube.com)

O Barbeiro

Uma das coisas que sempre irei apreciar, as lojas que se mantêm inalteradas com o tempo e que ganham por isso. Cada vez são menos os barbeiros em Portugal mas aquele toque masculino será para sempre insubstituível, enquanto nos sentamos em cadeiras reclináveis que são até mais comfortáveis que os assentos da maior parte dos aviões.

Existe uma certa mística por trás da loja de barbeiro tradicional, fala-se sobretudo de futebol e de política. Fascina-me pensar que assim foi durante décadas, e sei que a conversa se repete a cada cliente que se senta no trono do corte de cabelo, ao som da tesoura, lâmina e recente máquina de aparar.

São estas as coisas simples e fantásticas que fazem da rua um sítio inigualável. O tradicional e inalterado nunca foi tão belo.

Top 10

É este aquele que acho ser o meu actual Top10 de fotografia, pensado para uma tentativa de conseguir a atenção da Getty Images.

O set de imagens aqui.

Got Him!

Esta foto foi tirada na manhã seguinte à morte de Bin Laden, tinham passado apenas algumas horas e notavam-se algumas marcas do acontecimento pelas ruas. Feliz ou infelizmente estava em Nova Iorque quando Barack Obama interrompeu a programação televisiva para comunicar ao país que o seu maior inimigo tinha sido morto pelas tropas Americanas. A minha primeira reacção foi de receio mas depois percebi que isto me iria  dar algumas fotos originais. Logo de manhã fui para Manhattan em busca de euforia, festa e vitória, junto ao monumento dedicado aos cidadões mortos na queda do World Trade Center em Staten Island apenas um homem emvergava uma grande bandeira dos EUA. A segurança em locais mais movimentados estava reforçada, haviam mais cães que o normal a farejar grandes volumes (mochilas e bagagens), vi algumas tropas de arma em punho, vi imensas estações televisivas a cobrir a manisfetação de alegria dos Americanos, etc. As melhores fotos que consegui acabaram por ser dos vendedores de jornais, fiquei algo desapontado. Ao fim do dia queria visitar o Ground Zero mas o plano saiu furado e até isso perdi já que imensa gente se reuniu por lá para rezar e memorizar os seus.

O grande fruto desta experiência foi mais uma vez perceber como os Norte Americanos são patriotas, o quanto sentem as coisas de forma intensa, do valor que dão a quem por eles batalha e ainda mais fascinante, a carga de respeito que existe por aquele que os lidera, Barack Obama. Não é a primeira vez que o digo e temo ser repetitivo, mas, se os Portugueses tivessem metade desta dedicação e patriotismo este belo Portugal podia ser um sítio muito muito grandioso.

(Source: Flickr / f3lixlovesyou)

As reacções.

Algumas pessoas não fazem Fotografia de Rua porque acham ser um abuso. Outras fazem este tipo de capturas mas preferem pedir autorização para fotografar. Já eu muito raramente peço autorização para o fazer, julgo estar no meu direito sendo que a minha imagem torna-se pública assim que saio de casa, sou filmado por um sem fim se câmeras e não encontro lógica nenhuma para uma má reacção no caso de ser fotografado por alguém.

Como já disse anteriormente o que me atrai na Fotografia de Rua é precisamente a adrenalina envolvida na captura, o misto de desafio e resultado, a expectativa relativamente à reacção da pessoa no caso de perceber estar a ser fotografada, e o encontro de formas de passar despercebido e conseguir fotos únicas. Existem várias formas de enganar a pessoa que se quer fotografar, a mais eficaz de todas é apontar a objectiva directamente, sem rodeios, disparar e continuar a apontar mesmo depois da pessoa já não estar à nossa frente, desta forma vai pensar que estavamos a fotografar algo que estaria atrás dela, não se sente no direito de nos chatear.

Mas (existe sempre um mas) existe quem não caia em truques e as reacções são variadas, qualquer que seja o desfecho as reacções podem também dar boas situações fotográficas e só em último caso se apaga uma foto para agradar a alguém que não se sentiu bem ao ser fotografado. Pessoalmente já tive algumas situações em que tive que explicar e mostrar a foto que tirei mas nunca tive que apagar uma foto, um pouco de conversa e a pessoa acaba por perceber e/ou desistir.

Mas enfim, hoje mostro algumas reacções, felizes e infelizes. Alguns deles não se deixaram enganar e resolveram vir falar comigo, um sorriso é sempre necessário e o ponto de partida para que alguem deixe o negativismo de lado. Espero que sintam inspirados e tentem arriscar um pouco, tenho a certeza que vão gostar, quem não gosto de um desafio?

Esta última quando percebeu estar a ser fotografada atirou-me a beata de cigarro, felizmente não me acertou, lol, não consegui ter outra reacção senão rir, acho que isso ainda a deixou mais chateada mas acabou por se ir embora. Obrigado pela foto minha senhora. ;)

Todas as fotos neste post são da autoria de Félix Pagaimo. Copyright All rights reserved

Brooklyn Empire

Brooklyn Empire por Félix Pagaimo

Cá estou a mostrar mais uma foto que adoro, capturada durante as férias em Nova Iorque deste ano. Esta vista já não era novidade para mim, já a tinha visto algumas vezes pelo Flickr, deduzi sempre que teria sido tirada numa rua de Manhattan, nunca pensei que tal era impossível dada a distância a que se avista o Empire State Building. Sim, o Empire State Building, já o viram, não viram? Está mesmo entre o arco inferior da ponte (a Manhattan Bridge), muito bom, não? Portanto, esta é um foto tirada em Brooklyn, do outro lado do East Side river, dei com o local acidentalmente e não podia acreditar que aquela vista estaria entre as minhas fotos, foi uma sorte.

Uma sorte também foi termos atravessado a Brooklyn Bridge para visitar Brooklyn. Nunca imaginei que encontraria um sítio tão interessante, cheio de lojas fantásticas e ruas cheias de cultura. Todos os cantos eram mágicos, encontrei uma loja onde vendiam sabão Português e uma livraria de fotografia que nunca irei esquecer e à qual terei que voltar obrigatoriamente, a PowerHouse, onde comprei um livro de que falarei um dia destes.

Mais um sopro das minhas descobertas! Espero que estejam a ter uma semana cheia de paz. ;)

Pause Behaviors @ Flickr Explore

E pronto, acabou ontem a azáfama na minha página do Flickr. Foram dois dias de comentários e favoritos constantes, tudo porque a foto abaixo apareceu na secção Explore! do Flickr. Foi a primeira vez que me aconteceu curiosamente, depois de 3 anos no site, acho que é uma questão de sorte dado que são uploadadas alguns milhões de fotografias no Flickr todos os dias. É tão bom receber estes pedaçinhos de reconhecimento.

Espero que gostem deste registo e vão lá deixar a vossa opinião também! ;)

Pause Behavious por Félix Pagaimo

Esta é mais uma foto de rua tirada em Nova Iorque. É preciso estar de olho aberto, situações destas repetem-se pela cidade e às vezes não são tão óbvias assim. Aqui gosto sobretudo da luz forte que incide nos sujeitos principais e da profundidade de campo que coloca mais personagens em camadas de sombra. A posição dos dois homens quase que parece encenada mas são estranhos na realidade. ;)

Abraço a todos e boas fotos.

Bruce Gilden : HEAD ON

Já aqui falei de uma das séries fotográficas de Bruce Gilden mas sem me debruçar sobre si e o seu estilo fotográfico, este novo post surge com o mais recente trabalho do fotógrafo da MAGNUM Bruce Gilden. Bruce foi comissionado para o Format International Photo Festival deste ano em Derby, UK. Olivier Laurent foi para trás das cenas e filmou o lendário fotógrafo de rua enquanto trabalhava nas fotos para o festival e mostra agora o vídeo exclusivo sobre a realização da série Head On. Mas para além disso quero partilhar convosco algo mais sobre o famoso fotógrafo.


"Antes de ir para Derby falei com o meu bom amigo Martin Parr, que me disse que eu teria dificuldades em obter imagens. Quando fui estava bastante apreensivo, até porque não acontecia grande coisa pela cidade, não havia grande movimentação. Existem personagens lá - pessoas que gostaria de fotografar, mas não se pode pular à frente de todas elas (…) No entanto quando se trabalha em comissão é-se forçado a tirar fotos, porque é uma comissão. É obrigatório trabalhar. Tiram-se fotos que normalmente não tirariamos. Enfim, cheguei a casa e já com o filme revelado constato que afinal tinha conseguido imensas boas fotos."

Membro da MAGNUM Photos desde 1998, Bruce Gilden é mais conhecido pela sua abordagem intransigente, pelo modo in your face da fotografia de rua.

Nasceu em 1946 e tornou-se fotógrafo inspirado pelo filme Blow Up de Michelangelo Antonioni, que viu em 1968 emquanto estudava Sociologia em Penn State. Adquiriu uma câmera, matriculo-se em aulas nocturnas na School of Visual Arts em Nova Iorque, e em breve estaria nas ruas a fotografar. Ou melhor, na praia - o seu primeiro grande projecto foi criado em Coney Island, o famoso resort Nova Iorquino. “Não sei qual é a definição para a fotografia de rua, mas para mim foi onde tudo começou,” diz. “Reduzo-a (a fotografia de rua) a pessoas que caçam pessoas.”

Em 1981 já fotografava de facto as ruas de Nova Iorque e continua até hoje, também capturou o famoso festival Mardi Gras em Nova Orleães, em meados da década de 80 os rituais voodoo  em Port-au-Prince no Haiti, o pouco conhecido submundo dos Yakuza Japoneses e fans rurais de corridas de cavalos Irlandeses. Em 1998 juntou-se à agência MAGNUM e em 2002 tounou-se membro de pleno direito.

Ele, segundo a agência, “estabeleceu um estilo expressivo e teatral  que apresentou ao mundo como uma grande comédia de costumes”, mas este estilo não chegou completamente formado. Bruce começou por fotografar com a luz disponível por exemplo, mas mais tarde optou o uso do flash para “visualizar a ansiedade, o stress e a energia das ruas”. Está agora tão habituado a colocar o flash na mão esquerda e a câmera na mão direita que estes passaram a ser sentidos como extensões naturais do seu corpo.

Quando questionado sobre a sua experiência a fotografar em Inglaterra, Bruce Gilden diz:

Para Bruce um bom fotógrafo de rua tem que se conhecer a si mesmo. “Tens que saber quem és; saber o que sentes em relação ao mundo; saber no que estás interessado em fotografar,” diz ele. “Quando começei com a fotografia fiquei preso a uma frase de Robert Capa - ‘Se não for bom o suficiente, não estás perto o suficiente.’ Então quanto mais velho fico mais perto me chego. Quero rasgar, quase, os instestinos de dentro de alguém, porque depois sei ter conseguido algo. Esse sou eu. Além disso, quando era jovem, era um bom atleta , e então incorporei o meu atletismo no meu estilo - porque eu seguro o meu flash na mão, as pessoas movem-se e eu também, é necessária destreza para conseguir ter a luz onde se quer.”

Neste clip áudio Bruce sobre as qualidades de um bom fotógrafo de rua:

E bom, foi mais um post educional sobre um fotógrafo que admiro. Embora a sua técnica suscite alguma discussão em redor do abuso de privacidade, vejo neste fotógrafo uma grande inspiração. Curiosamente começei a fazer algo do género ainda antes de o conhecer e retiro agora mais algumas dicas que me farão jeito certamente, espero que tenham retirado o mesmo efeito na leitura e visualização da fotografia de Bruce Gildem. Um bem haja. ;)

Vivian Maier

O vídeo mostra um slideshow de algumas das épicas fotografias capturadas por Vivian Maier e ouvimos a sua história pela voz da fotógrafa Mary Ellen Mark e  John Maloof, o home que revelou o trabalho de Vivian ao mundo.

A febre em torno da descoberta das imagens de “street photography” de Vivian Maier quase nos faz esquecer que a autora morreu em 2009 e que faria 85 anos a 1 de Fevereiro. A sua primeira exposição individual finaliza este mês no Centro Cultural de Chicago. Vivian Maier foi a heroína celebrada destes dias. A descoberta casual, pelo jovem John Maloof, agora feito curador da colecção, de mais de cem mil fotografias e negativos num leilão em 2007 trouxe para a ribalta a fotógrafa que ninguém conhecia.

De repente um espólio feito de filmes por revelar, fotos impressas e milhares de negativos abria uma janela sobre um tempo que tantos outros fotografaram mas que esta ama de Nova Iorque parece ter registado de forma que torna a sua colecção um legado de valor inimaginável. É  fotografia de rua  no seu melhor e com o apelo de vir de uma figura que alguns sugerem ter semelhanças com Mary Poppins.

É uma história curiosa de fama após a morte que sucede pouco tempo depois de a autora ter-nos deixado. Efectivamente, Vivian Maier, que nasceu a 1 de Fevereiro de 1926 (faria agora 85 anos) morreu a 21 de Abril de 2009, na sequência de uma queda meses antes, de que nunca recuperou.

Ama de crianças, Vivian Maier coleccionou fotografia atrás de fotografia das suas viagens pelas ruas de Nova Iorque e outros locais que visitou. A máquina era a sua companhia nos dias de folga, recordam antigos patrões, no vídeo que traça alguma da história curiosa desta descoberta. Ainda muito está por dizer sobre este caso, mas um aspecto importante a reter aqui, e que me seduziu, é o valor que de repente simples fotografias do quotidiano acumuladas em caixas ganham, somente porque quem as fez tinha a visão para enquadrar mais do que um simples instantâneo.

As fotos de Vivian Maier são uma deliciosa viagem pelo tempo que nos faz apetecer procurar em todas as caixas perdidas em sótãos e baús escondidos em arrecadações as fotos porventura esquecidas de algum familiar. Não na mira de um possível tesouro monetário que parece estar subjacente a este caso, mas pelo simples prazer de confirmar que a fotografia continua a ser uma forma simples de documentarmos o mundo e redescobrirmos o que de melhor há em nós. Quantas Vivian Maier não existirão escondidas em pequenas colecções?

A obra de Vivian Maier tem a sua primeira exposição individual patente no Centro Cultural de Chicago entre Janeiro e Abril de 2011. Sabe bem pensar que Vivian Maier, onde quer que esteja, pode olhar cá para baixo e rir-se ao saber que as suas fotos estão hoje a atingir públicos que ela nunca pensou ter. Entretanto John Maloof criou um blog onde pode acompanhar a evolução desta aventura que lhe mudou a vida. E há mesmo que pretenda reunir fundos para fazer um documentário.

Resta esperar ter a sorte de um podia poder ver ao vivo esta exposição ou como última opções comprar um bom livro com as suas fotos.

Texto retirado de Foto Digital, fotos retiradas de vivianmaier.blogspot.com